Rimando a rotina

Dia 1o de janeiro, eba, tem o mês inteiro. Dia da confraternização mundial, está escrito na agenda, mas você segue a organização editorial, é bom que logo aprenda. Corre com a tradução de um livro superesperado, com aquele romance conturbado. Público pós-adolescente não tem terror, então nada de pudor. Ninguém quer texto mascarado, melhor deixar tudo escancarado. Continuação de série é trabalho duro, até parece coisa corriqueira, mas precisa criar um glossário para não fazer besteira. Anota termos e expressões, faz uma lista para evitar chateações. Tem história velha misturada com a nova, o assunto às vezes é o mesmo, mas quase sempre se renova. Texto longo toma tempo, mas o foco é forte pra deixar tudo a contento. Livro terminado, hora de descansar adoidado. Até parece! São só dois dias, bem pouco. Mas por menos que seja, o sono corre solto. Filho de férias, despertador desligado. Não está perfeito, mas aceita de bom grado. Descanso merecido, sempre insuficiente, mas a roda não para, vamos em frente. Já mais renovado, retoma o outro livro que estava parado. Mais pesquisa, mais esforço pra usar uma linguagem concisa. Termos pesquisados, mas o melhor às vezes vem improvisado. Botânica, medicina, veterinária; livro é coisa rica, vai de assunto sério até bobeira hilária. No Word, vai criando atalhos para não confundir alhos com bugalhos. Duas letras podem virar uma frase, um monte de palavras, entra até a crase. E dá-lhe mais autocorreção para aproveitar ao máximo a automatização. Coloca o computador para trabalhar a seu favor, do seu lado, é sempre bom ter mais um aliado. Do texto, só falta um terço. Respira fundo e vai, leva no cabresto. Duas semanas de tradução, uma de revisão. Mas não para, não, já vai se preparando para a próxima missão. Um livro de um autor há muito admirado. Que trabalho bacana, quase passatempo remunerado. Como fã, o livro está lido, mas no afã, alguma coisa pode ter se perdido. Se vai ler pra traduzir, lê direito, com afinco, ainda que seja no fim da tarde, lá pras cinco, quando o sono insiste, mas o dever persiste. Dormir é bom, é necessário, mas nada de cochilar no ponto, fora do horário. A revisão acaba, hora de empacotar a diaba. Corretor e pronto, salva a versão final, aperta o enter e “tchau!”. Às vezes, a expressão que vem é “ufa!”, depende muito da labuta, que pode ser fácil, feita em tempo hábil, mas pode ser periclitante, aí o jogo é aberto com o contratante. Pedido de mais prazo, ele analisa o caso, o combinado não sai caro, mas prazo longo é raro. O editor depende da sua proeza, então, nada de moleza. Pronto, foi sucesso, comemora com um espresso. Descansa um pouco antes de começar mais um, parar para espairecer e relaxar não pode ser incomum. Na rede social tem gente legal, mas também muita cara de pau. Talvez seja mais fácil ser antissocial. Tem discussão até entre colegas, será melhor sair dessa bodega? Fica falando do trabalho de um sujeito, mas será que já parou para ver se o dele está perfeito? É fácil ser pedra, mas isso passa; complicado é ser vidraça. Bom, deixa pra lá, o alerta do e-mail acabou de soar. Tem mais trabalho chegando, hora de recomeçar.

Fevereiro está só no metade, mas parece que já passou uma eternidade. Está bom, nada mal. Mas é louco quem acha que o ano do tradutor começa só depois do Carnaval. 😉

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4 comentários sobre “Rimando a rotina

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