Você está cuidando de sua saúde financeira?

Aproveitando que a Carolina mencionou o momento econômico complicado pelo qual o país está passando nesse post, fiquei pensando em como as coisas mudam e as noções se invertem. A maioria das pessoas sempre demonstrou certa resistência em ser autônomo pela falta de estabilidade associada a esta condição. Mas será mesmo?

Sei que existem áreas mais estáveis que outras. Mas, desde antes de me formar em jornalismo, já estava familiarizada com os famosos “passaralhos” nas redações. Para quem não sabe, passaralho, essa palavrinha engraçada, surgiu para se referir às demissões em massa no setor jornalístico, mas já foi adotada por outros setores (está dicionarizada, vejam lá). Para driblar a tal da crise, muitas empresas realizaram demissões em massa nos últimos meses, e o setor editorial não escapou. Basta acompanhar as notícias para saber que não estou contando nenhuma novidade.

Muitos autônomos também sofreram com essa “pisada no freio” que as empresas tiveram que dar, mas, como disse a Carolina, os que souberam colocar seus ovos em mais de um cesto tiveram muito mais chances de continuar trabalhando bastante e não sentir (tanto) os efeitos de toda essa complicação. Já muitos dos que que confiaram cegamente na “estabilidade” do trabalho formal, ficaram sem nada. Tinham só um ovo e o depositaram em um único cesto.

Não estou dizendo que ser autônomo é fácil. O começo, principalmente, é complicado, e o ideal seria fazer um planejamento prévio. Mas nem sempre isso é possível. Às vezes as circunstâncias levam as pessoas a terem que se adaptar. É mais ou menos como um filho não planejado – pega os pais de surpresa, mas aos poucos eles vão se acostumando com a ideia e depois não conseguem imaginar como viveram tanto tempo sem aquele serzinho amado.

Uma das principais preocupações de quem opta por ser autônomo (ou cai de paraquedas nesse campo) é a questão financeira. Funcionários formais de uma empresa têm aquele salário fixo com que podem contar em uma data certa. Autônomos têm renda variável, não têm data fixa para receber, e não é raro que fiquem vários meses sem receber nada – não necessariamente por falta de trabalho.

No caso da tradução de livros, o pagamento é condicionado à entrega das laudas traduzidas. Muitas editoras concordam em fazer pagamentos parciais conforme o tradutor vai entregando partes do livro, mas algumas não trabalham assim. E muitos tradutores (como eu) não gostam de entregar o trabalho “picadinho”. Além disso, são poucas as editoras que pagam rápido. O normal é termos que esperar de um a dois meses para o dinheiro cair na nossa conta.

É por isso que os autônomos precisam fazer o tal planejamento que citei acima. Se não deu para fazer antes de começar a trabalhar nessa modalidade, ainda dá tempo de ir se ajustando e chegar a uma situação ideal (ou quase).

Vou ser sincera, não entendo muito de finanças, e muito menos de investimentos, mas acho que consegui entender o que precisava fazer para ter uma certa segurança financeira e não entrar em pânico sempre que aparecesse um livro com prazo longo ou uma editora com previsão de pagamento a perder de vista. Na verdade, não vou contar nenhum segredo, mas achei importante tocar no assunto porque sei que muita gente tem dificuldade nessa área.

  1. Tenha uma reserva financeira. Não encare como investimento, mas como uma reserva mesmo, para suprir os meses de menor faturamento. Tenha NO MÍNIMO três meses de “salário” guardados (calcule uma média, já que a renda é variável). Se conseguir guardar o equivalente a seis meses, como indicam os consultores financeiros, melhor ainda. Um ano? Que lindo! Só mexa nesse dinheiro se realmente precisar. Lembre-se: não é um investimento, nem aquela poupança para a tão sonhada viagem de férias, é uma reserva que vai permitir que você passe pelos períodos de vacas magras com tranquilidade.
  1. Faça uma poupancinha à parte para a tão sonhada viagem de férias. Ninguém é de ferro e autônomo também precisa passear e descansar.
  1. Lembre-se de que você não recebe décimo terceiro, mas continua tendo os mesmos gastos de quem recebe. No final e no início de cada ano, os gastos tendem a ser maiores (presentes de Natal, material escolar dos filhos, IPVA, IPTU…). Esteja preparado para isso.
  1. Mantenha um registro de seus gastos. Use um aplicativo próprio para isso ou simplesmente faça um controle com base nos extratos da conta e do cartão de crédito. A maioria dos bancos permite que a movimentação seja salva em formato de planilha ou nos formatos específicos utilizados pelos aplicativos financeiros. Compare os gastos reais com os gastos previstos. Se estiver gastando mais do que o planejado, considere fazer alguns cortes no que não for essencial.
  1. Separe uma parte de sua renda para reinvestir em você mesmo como autônomo. É fundamental que você possa fazer cursos de aperfeiçoamento, comprar equipamentos e softwares e ter acesso a uma infraestrutura adequada. Investir no próprio trabalho permitirá que você ofereça um serviço de melhor qualidade, refletindo diretamente no seu rendimento.

Você deve estar pensando: falar (ou escrever) tudo isso é fácil!

Sim, mas colocar em prática também não é nenhum bicho de sete cabeças. Tudo o que envolve mudanças profundas de hábito exige muito esforço e dedicação. Mas não tem nada melhor do que dormir à noite sem ter que se preocupar com seu futuro imediato no que diz respeito a finanças. O que você está esperando?

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