Quanto custa o conhecimento?

Um ladrão rouba um tesouro, mas não furta a inteligência. Uma crise destrói uma herança, mas não uma profissão. Não importa se você não tem dinheiro, você é uma pessoa rica, pois possui o maior de todos os capitais: a sua inteligência. Invista nela. Estude.

(CURY, Augusto)

Um parágrafo curto, simples, mas que resume perfeitamente a ideia que eu quero transmitir com o texto de hoje. E sabem o que é mais legal? Não precisei de mais que dez ou quinze minutos para encontrar o que eu queria. Uma ideia na cabeça, uma pesquisa rápida na internet, e encontrei a epígrafe que eu procurava. Ai, Débora, vai falar de pesquisa de novo? Não. Vou falar de conhecimento, reciclagem, construção, desenvolvimento, interesse, profissão, carreira, progresso. Tudo isso em um texto só? Sim, e tudo isso resumido em um verbo: estudar.

Temos a tendência (bem esquisita) de achar que o bom profissional ocupa todo seu tempo trabalhando, e que o trabalho é um sistema perfeito de retroalimentação. Quanto mais você trabalha, mais aprende, se aperfeiçoa e desenvolve. Bom, não vou contestar o poder renovador do trabalho e da dedicação à rotina diária, porque ele existe e é grande. Mas basta? Hum…

Vou falar especificamente sobre o trabalho do tradutor, é claro. Traduzir é transmitir ideias, conhecimento e conteúdo que foram criados, reunidos e/ou alinhados por outra pessoa. E como traduzir é transmitir uma ideia que não pertence àquele que a escreve, é preciso buscar sempre a precisão, a fidelidade ao conteúdo original. Voltamos à pesquisa. Impossível traduzir (bem) sem pesquisar, porque ninguém conhece todos os assuntos com a abrangência necessária para falar deles com tranquilidade e exatidão. Seja qual for a área de especialização do tradutor, sempre haverá a necessidade de pesquisa. Então, o tradutor estuda o tempo todo, certo? Estuda enquanto trabalha. Pronto, resolvido.

Não. Não é bem assim. O tradutor estuda e pesquisa (ou deveria, pelo menos) o assunto que está traduzindo no momento. Por mais que um colega se especialize na terminologia de sua área, mecânica, petróleo, aviação, vinhos, culinária, ainda é preciso cuidar do próprio ofício. É preciso estudar a tradução. Nem vou começar a falar aqui sobre a necessidade do estudo das línguas (de chegada e de partida), do esmero na ortografia e na gramática, porque tudo isso é ferramenta básica da nossa profissão. É o ponto de partida. Eu me refiro aqui ao estudo da teoria, das técnicas, das ferramentas, das novidades, do mercado. Não há exigência de diploma para o exercício da profissão de tradutor. Não vou entrar aqui no mérito dessa questão. Mas reciclar é fundamental.

Agora vamos às desculpas. “Ah, tem dó, não tenho tempo pra isso. São n³ palavras por dia/laudas por hora, não posso deixar de ganhar e ainda gastar tempo e dinheiro fazendo cursinho por aí.” “Mas, gente, quem tem essa fortuna? O curso é caro, o congresso é proibitivo, isso é pra milionário.” “Não vou passar o dia sentado ouvindo alguém falar sobre uma coisa que eu já sei.” “Tô velho demais pra isso, não tenho mais paciência pra aula, livro, tarefinha.” Mais alguma desculpa, gente?

Sugiro que vocês dediquem meia hora a uma pesquisa rápida na internet (de novo, que mulher chata!). Existem oficinas, cursos, palestras, aulas e outras formas de distribuição de conhecimento com carga horária e preço para todas as agendas e todos os bolsos. Se um curso formal e/ou uma estrutura presencial não cabem na sua programação, existem cursos on-line. Se você não tem nenhum dinheiro para investir em conhecimento e formação, existem muitos textos e teses publicados e disponíveis. Porém, aqui faço um aparte: se você ganha a vida traduzindo, precisa começar a pensar em reinvestir uma parte do que ganha no seu desenvolvimento, ou vai ser passado para trás muito mais depressa do que imagina, porque tem muita gente boa se esforçando para ser ainda melhor. Pensar que é bom o bastante para não precisar mais estudar é suicídio profissional.

E no meio de tudo isso, entre congressos, oficinas, cursos, palestras e outras reuniões de (bons) profissionais, ainda tem um tesouro valiosíssimo, além do acúmulo de conhecimento: networking. O tradutor trabalha sozinho, a oportunidade de conhecer colegas e fazer contatos na área não deve nunca ser desperdiçada. A troca de conhecimento e experiências enriquece muito o exercício da profissão e anima, provoca novas ideias e alimenta o entusiasmo, além de abrir caminho para novas amizades e atividades sociais.

E se nenhum desses argumentos foi suficiente para convencer você da importância da busca do conhecimento, procure aí dentro aquela voz que todos nós ouvimos e internalizamos desde cedo e obedeça à sua mãe: “Vai estudar, menino!”.

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