Nem tudo o que reluz é ouro

Como já dissemos por aqui, o Ponte de Letras participou do VI Congresso Internacional da Abrates no início de junho. Pelo retorno que tivemos até agora, nossa palestra parece ter sido bem recebida, mas uma das partes mais gratificantes de participar desses eventos é o contato com tradutores que são também leitores aqui do blog. Já tínhamos passado por isso no congresso do ano passado, no Rio de Janeiro, mas este ano – já com um pouquinho mais de tempo de estrada, mais conteúdo publicado e mais interação pelas redes sociais – sentimos que esse contato foi mais intenso. (Até fotos tiramos com admiradores do blog, vejam só que chique!)

O saldo foi muito positivo, mas uma coisa chamou minha atenção. Quando cheguei em casa depois do primeiro dia de palestras, vi que havia recebido uma mensagem no Facebook que dizia algo mais ou menos assim: “Estive na palestra de vocês. Gosto muito do que escrevem, mas não acham que estão entregando o ouro? Se eu tivesse experiência em uma área tão fechada quanto a editorial, guardaria tudo para mim por medo de tomarem o meu lugar”. Fiquei um pouco perplexa e nem soube o que responder.

A ideia de criar o blog surgiu de uma necessidade de trocarmos experiências com colegas, uma vez que a nossa profissão acaba nos levando a uma situação de semi-isolamento. Nunca vi o que escrevemos aqui como ouro, prata ou bronze e sim como uma versão (ou quatro, já que temos visões e vivências diferentes) do que acontece no dia a dia de um tradutor de livros, relatos e impressões de tradutores comuns, que trabalham muito e se desdobram para cumprir prazos e fazer um bom trabalho. Acredito que as pessoas nos leiam porque se identificam conosco, percebem que não precisam estar sempre sozinhas no home office, e não porque revelamos segredos que, segundo a moça da mensagem, deveriam estar guardados a sete chaves.

Mesmo que tenhamos algo para ensinar, temos o dobro para aprender. Aprendemos com a troca de ideias, com os comentários, com as perguntas e com a própria elaboração dos textos, que envolve reflexão e, muitas vezes, pesquisa. Aprendemos ao planejar as palestras que apresentamos, ao coletar exemplos, ao pensar em como transmitir aquela informação que, apesar de não ser ouro, pode ter muito valor para alguém. O espírito é sempre de troca, o movimento nunca é unilateral. Poder ver o arco-íris no céu vale muito mais do que encontrar o pote de ouro no fim dele.

Foi com esse mesmo espírito que aceitamos o convite da Abrates, em parceria com o Café com Tradução, para ministrar o curso Introdução à tradução editorial: princípios teóricos e prática, que vai acontecer nos dias 3 e 4 de outubro em São Paulo. Assim que tivermos mais detalhes, vocês serão os primeiros a saber. Por enquanto, podemos dizer que a ideia é misturar fundamentos teóricos, bate-papo sobre mercado editorial e prática de tradução propriamente dita em dois dias inteiros de curso intensivo. E aí? Quem vem?

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6 comentários sobre “Nem tudo o que reluz é ouro

  1. Há quem veja colegas de profissão apenas como competição. Eu promovo uma visão diferente. Estes colegas são parte do meu arsenal profissional — e muitos deles até acabam permeando a esfera pessoal. É com eles que eu conto quando preciso de ajuda, até mesmo para não perder um cliente devido a conflitos de agendagem, pane no equipamento, doença. Abençoados sejam estes colegas que me permitem crescer sem se diminuir, que enriquecem minha existência sem se empobrecer. Obrigada a vocês da P de L.

    • É exatamente assim que pensamos, Gio! Fico feliz em ver que não estamos sozinhos nessa caminhada. Volte sempre!! 🙂

  2. Oi, Flávia!!!! Adorei a novidade! Parabéns por mais essa conquista! Com certeza, farei de tudo para ir!
    Acredito que, quando se trabalha com competência, responsabilidade e comprometimento, não relacionamos o compartilhamento de ideias à “entrega do ouro”, mesmo porque, compartilhar as ideias não faz com que a pessoa tenha a mesma experiência, mas, sim, aprenda e conheça novas situações. Além de ser muito bom para conhecer pessoas, é divertido! 😀 E todos os colegas podem se ajudar, em vez de concorrerem uns com os outros… Isso é muito mais gratificante! Eu mesma tenho certeza de que posso contar com muita gente e vice-versa! Beijosss

    • Pois é! Ouço muito falar que o nosso meio é muito competitivo e que as pessoas ficam só esperando uma oportunidade para puxar o tapete das outras, mas não sinto isso no meu dia a dia. Felizmente, estou cercada de pessoas generosas. Além disso, não me sinto ameaçada, conheço o valor do meu trabalho. Às vezes a gente perde, é verdade, mas isso faz parte de todas as profissões. Faz parte da vida. 🙂

      Obrigada pelo comentário. Quem sabe não nos encontramos em outubro? 😉

  3. Adoraria participar do curso. Infelizmente, moro muito longe e só estarei em São Paulo no princípio do ano que vem. Como já disse aqui, sou uma tradutora iniciante então teria muito a aprender. Venho de outras carreiras e nas duas experiências anteriores ouvi coisas parecidas. A “necessidade”de ver colegas como concorrentes e não como parceiros. Hoje penso que essa ideia tem mais a ver com ética e com caráter do que com esta ou aquela profissão. O importante, penso eu, é manter-se íntegra e agir guiada por seus princípios e valores, não por uma suposta “lei de mercado”. E, como bem disse Flávia, ter segurança sobre o próprio trabalho ajuda muito também. Que a gente continue compartilhando sabedoria e boa energia!
    Selma

    • Olá Selma. Obrigada pelo comentário. 🙂

      Esse vai ser o primeiro curso que daremos em grupo (pelo Ponte de Letras). Conforme a aceitação e o número de interessados, vamos estudar as possibilidades de levá-lo para outros lugares ou mesmo de fazer uma edição online no futuro. Quem sabe não nos encontramos?

      Um abraço.

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