Quando é melhor não traduzir

Alguns chamam de preguiça, covardia ou falta de conhecimento, outros acham que é inovador, arrojado e uma demonstração de segurança. O fato é que não é raro o tradutor se deparar com termos que são intraduzíveis. O que fazer quando isso acontece? Como encarar a necessidade do “estrangeirismo”?

A primeira opção é a controvertida nota do tradutor, sobre a qual a Flávia já falou aqui no Ponte. A palavra em questão é incorporada ao texto, mas, insatisfeito por não transmitir o sentido exato encontrado no original, o tradutor “se explica” acrescentando uma nota. Não vou aqui opinar ou discutir as notas. Não é esse o objetivo do texto.

Outra opção é criar uma explicação que se integra ao texto, ou como trecho da narrativa, ou como fala de personagem, se a dificuldade estiver em um diálogo. Alguns argumentam que isso altera o texto original e, portanto, é uma interferência. Pessoalmente, não vejo nenhum grande problema em “adequar” alguns pequenos trechos para transmitir a ideia do autor. Procuro sempre transmitir a ideia e o contexto mantendo a fidelidade à forma na medida do possível. Quando a lealdade à forma prejudica o sentido, opto por defender o sentido, assegurar a compreensão da ideia e do contexto criados pelo autor.

O tradutor pode recorrer à transliteração, quando há substituição de convenção gráfica, ou à aclimatação, também chamado de decalque, mas a manutenção do estrangeirismo como é, entre aspas, ou em itálico, não é o fracasso do tradutor nem uma demonstração de sua falta de conhecimento. Em tempos de globalização, a ideia de Língua Pura é quase tão incompreensível quanto era no passado a da comunicação em tempo real entre tripulantes de uma nave em uma missão espacial e sua base na Terra.

Há alguns anos, o Deputado Raul Cario defendeu um projeto de lei contra o uso de estrangeirismos, afirmando que a lei era necessária para defender o idioma e evitar a subjugação do português ao inglês. O gramático e professor Claudio Moreno rechaçou o argumento dizendo que a língua não desapareceria pela incorporação de algumas palavras de outro idioma e continuou explicando que proibir o uso de estrangeirismos, além de ferir o direito de livre expressão, prejudicaria a comunicação em áreas específicas, como publicidade e moda. Claudio Moreno lembrou que muitas palavras estrangeiras não têm um termo correspondente em português e fez um desafio, que eu reproduzo aqui de forma reduzida, com um número menor de palavras. Que tradução você daria às palavras a seguir, consideradas estrangeirismos?

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Se quiser responder, use o campo comentários no blog. Conte para nós que tradução você usaria e como fez sua escolha.

No próximo fim de semana acontecerá em São Paulo o VI Congresso da Abrates. O Ponte de Letras vai marcar presença no sábado, dia 06/06, com a palestra “Vamos Fugir do Tradutês?” Esperamos vocês. Até lá! J

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