O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Muito já falamos aqui sobre o que é realmente traduzir. Sobre uma coisa estamos todos de acordo: traduzir não é só passar um texto de um idioma para outro. É preciso estar atento à adequação do vocabulário ao público-alvo, ser fiel ao original, preservar as características que dão personalidade ao texto, enfim, cumprir um conjunto de exigências que, somadas, resultam em um trabalho de qualidade.

Na semana passada, Carol falou sobre os exercícios que fazem parte da formação de quem faz faculdade de tradução, sobre a prática que leva a traduções melhores, comentou algumas formas de se exercitar e citou o caderno onde continua treinando, aperfeiçoando suas soluções. E é claro que o curso também tem a teoria.

Mas e o tradutor que tem outra formação? Como é o desenvolvimento da capacidade, o aperfeiçoamento desse profissional?

Alguns defendem que talento é fundamental e formação é só um detalhe. Pessoalmente, encaro talento como uma pedra bruta a ser lapidada, e lapidar é fundamental para a pedra alcançar seu valor máximo. E isso, novamente em minha opinião, vale para todas as profissões. Talento e dedicação (formação, dedicação, estudo etc.) são fundamentais para um bom resultado.

Então, como é o desenvolvimento do tradutor que não passou pela faculdade de tradução? Por exemplo, quando o assunto a ser traduzido é bem específico, daqueles com vocabulário próprio (jargão), e as informações transmitidas exigem precisão absoluta?

Normalmente, quando é esse o caso, o mais comum é a contratação dos serviços de um tradutor especializado na área. Por exemplo, tradutores com formação em química traduzindo textos sobre química, médicos traduzindo medicina, advogados traduzindo contratos e temas jurídicos, e assim por diante.

Mas… se a tradução não é técnica? Se é editorial, mas o livro de ficção discute um assunto específico que transmite, da mesma forma, informações precisas? Ou se é não ficção (eu mesma traduzi há pouco tempo um livro sobre materiais sustentáveis, processos e produções), um material recheado de dados específicos relacionados a atividades industriais, por exemplo? O que fazer?

Pesquisar. Outro assunto já muito debatido por aqui. Estudar. É impossível ser um bom tradutor sem ser um estudioso, mesmo que você decida se limitar aos romances e às obras de ficção. Um romance histórico trata de datas e fatos documentados, não dá para correr o risco de mudar um ou outro detalhe por falta de informação. Um romance traz dados culturais, hábitos e costumes que precisam ser conhecidos. Além de tudo isso, é indispensável estar sempre atento ao par de idiomas. Exemplo claro é a recente reforma ortográfica aplicada ao português. Acompanhar as mudanças exigiu e ainda exige cuidado e atenção constantes.

Portanto, o tradutor com formação em outras áreas também precisa de treino e preparo. Nada o impede de procurar a teoria, há muito material disponível para estudo. E é indispensável estudar os idiomas com que ele trabalha. Sempre. Além do mais, uma vez no mercado, o contato com os colegas é favorecido. Em vez de chegar aos fóruns e grupos pedindo a solução pronta, por que não pedir indicações de material teórico, fontes de estudo do idioma de partida e de chegada, gramática, sugestões de curso, enfim, tudo que deve fazer parte da preocupação diária de um profissional que quer melhorar sempre?

Então, o bom tradutor, seja qual for sua área de formação, precisa conhecer gramática e ortografia, estudar cada assunto que traduz (e estudar com a profundidade exigida pelo material traduzido), pesquisar sempre, participar de congressos, fazer cursos, acompanhar os fatos da atualidade (sim, quem traduz ficção também tem que acompanhar tudo que acontece no mundo) e ainda separar um tempinho para cuidar do networking. É preciso fazer um exercício constante, que pode ser o caderno da Carolina, ou a minha leitura truncada, parando a cada solução ou dúvida para pensar e comparar com o que eu teria feito, ou as práticas comentadas pelo Petê e pela Flávia, ou por tantos outros colegas em seus blogs.

Isso é possível? E sobra tempo para traduzir?

Parece maluco, mas a verdade é que tudo isso tem que fazer parte da rotina diária. Cada vez que um tradutor começa um livro, um novo projeto, ele sabe com que assunto vai trabalhar e, na medida em que vai traduzindo, vai se informando, lendo, pesquisando, estudando. Em alguns casos é preciso estudar antes (intérpretes, manifestem-se!). Não conheço outra forma de trabalhar. Preguiça é coisa que não cabe na vida de quem quer traduzir. Sim, sempre é possível recorrer aos fóruns e grupos espalhados pelas redes sociais, mas, antes de levar todas as dúvidas para os colegas resolverem, é preciso pesquisar, procurar, encontrar canais de informação. Acumular conhecimento.

E no meio de tudo isso, o tradutor ainda precisa aprender a sorrir e acenar. Porque sempre vai aparecer alguém para comentar sobre a invejável, incrível vida mansa desse profissional que pode trabalhar em casa, de short e chinelo, na hora que quer… J

E você? Como aperfeiçoa sua técnica e melhora seu conhecimento?

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