Nem toda jogada acaba em gol

Em tempos de Copa, muito tem se ouvido falar em tradução, interpretação, consecutiva, simultânea… É trabalho que não acaba mais. E todo mundo ganha muito dinheiro com isso, certo?

Ah, bem…

Sim, tem muita gente trabalhando no evento. Todos os dias vemos entrevistas de treinadores e jogadores, e há sempre uma vozinha em cima, falando em português, ou traduzindo as perguntas dos jornalistas para o idioma de quem deve respondê-las. O intérprete, pessoa responsável por esse trabalho, faz isso o ano todo, não só na Copa e nos grandes eventos. É um trabalho remunerado que ganha maior visibilidade em ocasiões como a que estamos presenciando agora. Exemplo disso é o colega Marcelo Neves, que interpreta entrevistas de atletas e/ou treinadores após os jogos das seleções de língua alemã para um canal de TV a cabo. Marcelo tem experiência, conhecimento, domina os idiomas e estuda os assuntos que vai interpretar. Seu trabalho tem sido elogiado e reconhecido, portanto.

Mas e os voluntários?

Ah, bom, esses… não ganham. Mas podem ter outro tipo de compensação, sem dúvida. Visibilidade, portas que se abrem para trabalhos futuros, experiência, contatos. Se um voluntário faz um bom trabalho, certamente vai colher os frutos em algum momento.

E se o trabalho não for bom? É…

O que acontece com um voluntário que faz um trabalho ruim, seja por problemas técnicos, falta de conhecimento dos idiomas, do assunto ou da profissão, falta de experiência, maturidade ou qualquer outro tipo de problema, e se torna conhecido por isso?

Reconstruir possibilidades depois de uma exposição dessa natureza não deve ser fácil. O mercado de tradução não é muito grande, por mais que pareça, e o de interpretação é ainda mais reduzido. Um lance errado pode causar um desastre. Pode ser um belo gol contra.

O voluntariado, não só na área de tradução e interpretação, mas em qualquer outra, deve ser tratado com a seriedade e o profissionalismo de um trabalho remunerado. A ânsia de começar em uma nova profissão, abrir portas ou fazer contatos não pode ser maior que a consciência dos limites, da capacidade e do conhecimento, e é preciso ainda estudar muito bem as condições em que esse trabalho será feito. Um profissional competente e bem-intencionado pode ser prejudicado por condições técnicas precárias e outros detalhes alheios à sua competência. E, nessas circunstâncias, além de não ajudar ninguém, o voluntário atrapalha, principalmente a si mesmo.

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