Pedro, Paulo e todo mundo

Volta e meia, aparece alguém expondo o trabalho de um colega, dizendo “Vejam, a pessoa tal traduziu isso dessa maneira.”

Acontece muito, com colegas próximos e desconhecidos.

Quando coisas assim aparecem, sempre acontece uma longa discussão sobre o assunto, mas como nunca abordamos essa questão no blog, achei que seria bacana trazer a discussão pra cá e refletir sobre a ética profissional.

Pode ser que o acusador seja alguém que se passe por outra pessoa só para ver o circo pegar fogo. Pode ser que o comentário seja feito “na inocência”, por alguém que não sabe como a banda toca, mas é preciso pensar antes de falar, principalmente quando falamos para mais do que meia dúzia de amigos que relevam nossos comentários infelizes. É preciso pensar. Vamos pensar?

— Como é visto quem expõe o erro do outro, como se ele próprio fosse “melhor”?

— Como se sente quem vê seu nome exposto sem qualquer cuidado?

— Por que expor um colega com quem amanhã você pode vir a  trabalhar ou por meio de quem, numa relação cordial, você poderia conseguir trabalho?

— Por que julgar o outro se nunca teremos todos os fatos concretos para uma análise adequada do suposto “erro” (afinal, existem várias pessoas envolvidas no processo todo)?

— Por que não buscar aprimoramento do seu trabalho e colocar o suposto “erro” em discussão em um grupo, porém de modo didático, para mais pessoas aprenderem do jeito certo?

— Por que se expor diante de possíveis clientes que, caso estejam em busca de profissionais, certamente escolherão alguém mais discreto?

E a pergunta que não quer calar, e que precisa ser feita em qualquer âmbito da vida:

— Por que fazer com o outro o que não queremos que façam conosco?

Talvez, por trabalhar sozinha, eu tenha perdido a capacidade de lidar com o lado “demasiadamente humano” das pessoas, e me sinta mais chateada com essas demonstrações de falta de tato. Talvez eu apenas esteja me colocando no lugar de quem é exposto, porque sei como é acordar no meio do turbilhão, sem ter conhecimento do que aconteceu e, pior, sem ser merecedora da acusação.

O maior prejudicado, ao expor alguém, é quem expõe, que isso fique claro. Atribuem uma frase a Freud que é perfeita para a situação: “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais sobre Pedro do que sobre Paulo”. É isso. Cuidado, muito cuidado. O seu maior concorrente é você mesmo. Procure melhorar o seu trabalho a cada dia.

Abro este assunto e não fecho, deixo meus colegas do Ponte à vontade para escreverem novos posts em cima deste. Se os leitores quiserem comentar também, ótimo. Talvez novos assuntos para posts surjam com o feedback que recebermos.

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10 comentários sobre “Pedro, Paulo e todo mundo

  1. “Por que não buscar aprimoramento do seu trabalho e colocar o suposto “erro” em discussão em um grupo, porém de modo didático, para mais pessoas aprenderem do jeito certo?” Eis a opção que prefiro.

  2. Excelente! Também acho que desaprendi um pouco a lidar com o lado demasiadamente humano, Carol. E acho que a falta de tato machuca mesmo, mas só os seres com um mínimo de sensibilidade nesse mundo ainda. Dói no colega, dói na gente, dói um mundo com menos sensibilidade de forma geral. E falo isso porque percebo um mundo mais duro. Menos gentil e humano. Apontar o dedo a todo momento parece que virou moda(?), regra(?). Quem aguenta viver assim? Qual o benefício disso? Eu, particularmente acho que cansa demais e além do mais, meu telhado é de vidro.
    Muita gente ainda não descobriu o quanto é ilusório essa coisa de “poder falar o que quiser” nas redes sociais, grupos e fóruns de discussão sem revisar o que vai bradar. Quantas vezes “nos revisando” damos conta que determinados pensamentos devem permancer na cabeça para serem amadurecidos e não ser divulgados. Refletir mais e bradar menos. Sem preguiça de pensar.
    O recente caso, que acredito ter sido o estopim para esse seu texto, me lembra, com ressalvas, a teoria do “homem cordial” do Sérgio Buarque de Holanda e a matemática. Se a gente toda se lembrasse mais da matemática, talvez conseguisse entender melhor que a vida não passa da teoria dos conjuntos e vivemos todos, sempre, em alguma interseção.

    • É isso, Raquel, machuca, sim. É ilusória a ideia de poder falar o que quiser, mesmo. E quem tem a tecla da “revisão” fica indignado quando vê as loucuras rolando soltas por aí. Obrigada e um beijo!

  3. Olá, acredito que essa é uma atitude que demonstra imaturidade e busca de autoafirmação. O ser humano tende a ser sentir melhor diminuindo o outro. Uma pena mas, acredito que situações assim sempre existirão. Cabe a nós individualmente nos “blindarmos” de certa forma, saber que não agradaremos a todos e que seremos julgados e assim, seguir nosso caminho tranquilos por fazer sempre o melhor que podemos em qualquer situação.

    • Concordo com você, Adriana. Mas como é triste ver esses “ataques”! Obrigada pelo comentário. Abraço!

  4. A regra de ouro deve ser usada em todas as áreas da nossa vida! É muito feio isso! Assisto e observo de longe! Acontece de montão! Não só no universo da tradução, mas em todas as profissões. É insegurança., Alguns gostam de se esconder atrás de um perfil para expor os outros, se achar melhor! Para quem observa e vê de longe, eu te repito, é muito feio! parabéns pelo texto. beijos

    • Tem razão, Aline, isso acontece o tempo todo em todas as áreas. Obrigada pelo comentário! Beijos

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