Cadê o foco que estava aqui?

Vocês lembram daquele texto que escrevi sobre planejamento? Pois é, planejar é uma parte muito importante do processo. Contudo, apesar de parecer complicado fazer cálculos e planilhas, essa acaba sendo a etapa mais fácil do trabalho do tradutor. Depois, é preciso CUMPRIR a estimativa a fim de entregar a tradução bem feita e no prazo.

Parece tranquilo. É só sentar na frente do computador e traduzir, certo? Errado! Mas como? Vocês, assim como eu, não trabalham sozinhos, em casa, em um ambiente totalmente tranquilo, sem chefe, sem colegas tagarelas e ninguém para interromper sua concentração? Então de onde surgem tantas distrações a ponto de prejudicar sua produção?

É aí que entra a disciplina. Nem sempre (ou quase nunca) é mais fácil trabalhar sem cobranças, nem horários. Mais agradável, sim, sem dúvida. Mas exige um esforcinho a mais. O comprometimento tem que partir do profissional, e não de todo um sistema que o obriga a seguir certas regras, a trabalhar um certo número de horas, como nos empregos mais formais.

Muita vezes, o fato de trabalharmos mais isolados nos faz perder muito tempo tentando interagir nas redes sociais, fóruns e listas profissionais e programas de trocas de mensagens, como o Skype. Além disso, a maioria dos profissionais autônomos desenvolve uma relação de desespero com o e-mail. Parece que existe uma certa obrigação de ler e responder tudo na hora, ou corre-se o risco de perder trabalho. Calma, não é bem assim.

A ideia não é estimular ninguém a se isolar mais ainda, nem a demorar uma semana para ler e responder cada e-mail recebido. Pretendo, aqui no blog, ir falando sobre alguns métodos que eu e meus colegas utilizamos para dar uma mãozinha para a disciplina.

Para começar, eu não podia deixar de falar do nosso querido Tomate, a Pomodoro Technique, que muita gente já conhece. O link explica todos os detalhes da técnica (e eu sugiro que todos leiam com calma), mas vou resumir rapidinho. Basicamente, é preciso escolher uma tarefa e se concentrar TOTALMENTE nela por um determinado tempo (o criador propõe vinte e cinco minutos como duração ideal), fazendo pausas curtas (de cinco minutos) entre um bloco de trabalho e outro. Após quatro blocos de trabalho, faz-se uma pausa maiorzinha, para recobrar o fôlego. O conceito principal é se dedicar a apenas uma tarefa por vez (o pomodoro é indivisível), garantindo a ideia de concentração.

Parece bobo, mas eu acredito que dividir o dia de trabalho em blocos de tarefas tira a ansiedade de ficarmos o tempo todo pensando em tudo o que precisamos fazer no dia. Aquele e-mail que você acha que precisa ver na hora pode ficar para daqui a vinte e cinco minutos, não pode? A olhadinha no Facebook pode se encaixar nos intervalos de trabalho, assim como o telefonema para marcar consulta com o médico e a resposta ao colega que te chamou no Skype. Além disso, dá para aproveitar os intervalinhos para levantar um pouco da cadeira, descansar os olhos do monitor, tomar um copo de água – coisas que esquecemos de fazer com frequência e podem acabar atrapalhando mais tarde.

É isso. A técnica garante que o tempo determinado para o trabalho seja realmente de trabalho, sem aquela ilusão de que estamos traduzindo o dia todo (afinal, estamos no computador, não é?) e não entendemos como não conseguimos produzir quase nada. O que vocês acham da ideia?

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3 comentários sobre “Cadê o foco que estava aqui?

  1. Olá Flávia
    “Descobri” a técnica Pomodoro ao fazer um curso de Desenvolvimento para Android. O professor nos fez desenvolver um app para controle do tempo. Admito que, na época, não botei muita fé que funcionasse.
    Mas desde que comecei a trabalhar em casa, e testei sua utilização, tive de dar o braço a torcer. É mesmo uma mão na roda. (E o festival de expressões idiomáticas acaba por aqui 😉 )

    Ótimo texto.
    abs

    • Olá, Cristine.
      Obrigada pelo comentário.

      Pois é, muita gente tem essa reação. É algo tão trivial que parece que não vai funcionar, mas funciona!! Claro que não é nenhum milagre. Requer esforço. Mas me ajuda muito.

      Espero que esteja gostando dos textos do Ponte de Letras. Apareça mais vezes!
      Abraços.

      Flávia

  2. Pingback: Revisão para quê? | Revisão de texto com bom humor

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