Adaptar é preciso. Ou não…

Não é a regra, mas pode acontecer de uma ou outra editora pedir ao tradutor para adaptar o texto e aproximar algumas informações do universo do leitor. Por exemplo, no Brasil o Valentine’s Day não é comemorado. A data mais parecida é o Dia dos Namorados. O primeiro acontece em fevereiro e não se limita a namorados. O segundo é comemorado em junho por casais apaixonados. Até que ponto é válido, então, mudar o nome da comemoração, simplesmente? E como ajustar tudo que gira em torno dessa informação alterada, como por exemplo, nesse caso específico, a data? E se mais tarde um fato importante da trama acontece no mês de março, dias depois do Valentine’s Day que passou a ser chamado de Dia dos Namorados? O tradutor muda a data do tal fato importante para julho e avisa o editor? Mas e se outros fatos acontecem, se um personagem lembra alguma coisa que aconteceu em abril, dois meses depois do Valentine’s Day (Dia dos Namorados é em junho, não esqueçam)?

A verdade é que adaptar é pisar em campo minado. Na hora pode parecer simples, óbvio, muito mais adequado. Por que falar em Valentine’s Day, se quem vai ler pode nem saber o que é isso? Por que falar em St. Patrick’s Day, se por aqui a comemoração nem existe?

Um detalhe, uma “ajeitada” no parágrafo que menciona alguma coisa pouco conhecida por aqui, e o tradutor corre o risco de virar refém da tal adaptação, passar o resto do livro adaptando, ajeitando, adequando… E onde foi parar o original?

Antes de aceitar a missão espinhosa (e que em princípio é tentadora pela liberdade de criar, inovar), é preciso discutir com o editor o que ele espera da adaptação, é preciso saber se o autor concorda com isso e, mais importante, se é realmente necessário modificar nomes, datas e informações que podem enriquecer a leitura por levarem conhecimento ao leitor. É claro que, em alguns casos, um ajuste sutil pode cair bem. Mas, na maioria das vezes, adaptar não é simplesmente subestimar a curiosidade e a capacidade de compreensão do leitor?

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