Café com tradução – um evento que veio para ficar!

Tudo começou com um grupo de amigos tradutores organizando o “almoço de fim de ano”. Gente do Brasil e do exterior com saudade do abraço, da conversa e do carinho que temos uns pelos outros, mais virtual que pessoalmente. E do almoço brotou a ideia de compartilhar conhecimento: cada amigo falaria de sua área de atuação para os outros amigos. Um “congressinho”, por assim dizer. E nasceu o I Café com Tradução, aberto ao público, com 100 participantes e oito palestras de diferentes estilos e áreas tradutórias.

Após o credenciamento, o congresso começou com três componentes aqui do Ponte de Letras: Carolina Coelho, Flávia Souto Maior e Petê Rissatti, falando um pouco sobre erros e acertos na tradução literária. Com exemplos e comparações de dois testes de tradução, eles mostraram que um mesmo texto pode percorrer caminhos diferentes para chegar a soluções satisfatórias. Como já comentado aqui, o errado existe, mas não um único “certo”.

Cláudia Mello Belhassof deu dicas preciosas de português para tradutores (e não tradutores também). Uma das frases mais marcantes da palestra foi “Às vezes é seis, às vezes é meia dúzia”. Ou seja, às vezes uma escolha vocabular aparentemente inocente pode influenciar na compreensão de um texto, e o revisor faz a alteração para melhorar o texto, e não para rivalizar com quem o escreveu.

Adriana Sobota e Val Ivonica mostraram que é possível usar ferramentas rivais para chegar a uma tradução melhor. Apresentaram maneiras de trabalhar com arquivos do Trados dentro do MemoQ de forma mais eficiente.

André Faure surpreendeu com sua palestra, exibindo números do crescimento do mercado de games, cases e também explicando diferenças entre os jogos. Comentou que as bilionárias cifras que circulam no setor transformam-se em investimento, basicamente na localização dos diversos jogos que surgem a todo momento.

Mas o Café não parou por aí. William Cassemiro contribuiu e muito com sua palestra sobre tradução automática com ProMT, uma ferramenta que serve para facilitar a vida do tradutor. Muitos tradutores técnicos já se beneficiam de ferramentas assim, e William mostrou como aproveitá-las ao máximo.

Ricardo Souza veio com um alerta em sua palestra: máquinas são legais, mas humanos são mais. Partindo da Hipótese de Sapir-Whorf, ele seguiu por dois eixos: que o nível de automação dentro da nossa vida profissional cresce a cada dia e que automação é diferente de automatismo. Ou seja, é necessário automatizar os processos, mas não nosso modo de pensar, agir e interagir com o mundo. Desenvolvimento de habilidades interpessoais, consciência dos objetivos, identificação dos pontos fortes e fracos, e a impossibilidade da substituição da interação humana foram pontos importantes da palestra. Aplausos para a declaração: Chega de mimimi!

Karel Sobota apresentou em detalhes a ferramenta de controle de qualidade Xbench e mostrou, para quem pensa que a tradução termina no corretor ortográfico, que muito ainda pode ser feito para se traduzir cada vez melhor e com mais uniformidade. Exportação em diversos formatos, interoperabilidade com outros aplicativos Windows e facilidade de identificação de erros foram os destaques.

E com chave de ouro, Daniel Estill encerrou falando da querida TradWiki, a Wiki feita para e por tradutores. O idealizador deste que tem tudo para ser um repositório fantástico de conhecimentos sobre tradução comentou que, apesar de muito nova, ainda nos primeiros passos, já tem um grande fôlego e espera a participação de todos os interessados. Divulgação, administração, edição e compartilhamento são as palavras de ordem neste primeiro ciclo da TradWiki até se tornar um ambiente estável e bem alimentado. Por isso, Daniel e todos nós convidamos tradutores, revisores, preparadores, editores e interessados a visitar a TradWiki, navegar e contribuir da maneira que conseguir.

E depois dos sorteios de prêmios e do encerramento, a foto final. Neste momento, sentimos como é importante conhecer nossos colegas, compartilhar informações, absorver conhecimento, trocar experiências. Quando vimos todos aqueles avatares virtuais em carne e osso, tivemos a certeza de que o evento seria excelente. Estar entre amigos é bom, mas dividir e receber o que temos de mais valioso é impagável. Eventos assim deveriam acontecer mais vezes, com mais participação dos tradutores. Foi um domingo lindo para a tradução…

E ANO QUE VEM TEM MAIS!

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18 comentários sobre “Café com tradução – um evento que veio para ficar!

  1. Os contatos profissionais e as amizades entre tradutores se desprenderam do universo virtual, das distâncias e das fronteiras físicas. Estão ganhando rostos, vozes, muita energia e, principalmente alegria. Esse era um voo inimaginável há poucos anos. Parabéns aos organizadores do Café com Tradução e aos meus amigos do Ponte de Letras pelo trabalho fantástico. Tenho orgulho de ser amigo de vocês.

  2. Parabéns pelo poder de síntese, pessoal. O conteúdo das palestras foi muito bem resumido, e tenho orgulho de ter feito parte dessa inicitiva. Que venham outros!

  3. Realmente uma ótima síntese! Quem não foi esse ano vai querer muito estar lá no ano que vem!!

    Foi uma honra poder me alimentar das ideias, conhecimentos e abraços de vcs!

  4. Parabéns pela cobertura desse “congressinho”! Pena que não pude ir…
    E parabéns pela proposta do Ponte de Letras, ela tem me ajudado a enxergar melhor o mundo tradutório.

    Abraços!

  5. Eu participei do evento no domingo, sou tradutora iniciante e soube por meio de uma amiga. Esse tipo de evento é muito bom para os novatos também, pois é uma ótima maneira de estar em contato com a área. Meu objetivo é a tradução literária, portanto logo no início já aproveitei bastante com as dicas de vocês. Nos últimos meses ouvi muitos comentários de que a tradução literária é uma área muito fechada, etc., então foi bom ter contato com profissionais da área e ver que são acessíveis. Conversei com a Flávia, que foi muito simpática. Quanto ao TradWiki, senti um verdadeiro alívio ao ouvir a exposição, pois certamente vou utilizar muito, e fiquei bem quietinha quando o Daniel falou que às vezes os profissionais sentiam-se cansados de responder as mesmas perguntas dos novatos (rs). Espero continuar participando dos próximos congressos, quem sabe já como uma tradutora literária mais experiente? Um abraço a todos.

    • Obrigada pelo comentário. Ficamos felizes por você ter gostado da nossa palestrinha e do evento como um todo, Letícia. A conversa que tivemos foi mesmo muito gostosa. Um abraço.

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