Só sei que foi assim.

Com frequência, as pessoas me perguntam como eu vim parar aqui – na tradução editorial. Costumo dizer que tive sorte. Mandei um currículo, fiz um teste, recebi meu primeiro livro. Foi em 2008, e desde então não passei um dia sem trabalhar. Ainda continuo traduzindo para a editora que me deu a primeira oportunidade, mas o leque foi se abrindo, fui ganhando mais experiência, o trabalho foi se diversificando. Muita sorte!

Só que não podemos contar apenas com a sorte. Ela ajuda, mas não faz milagres. Nunca ganhei nada de graça – nem sorteio, nem rifa de quermesse. É preciso dar uma mãozinha. Noventa por cento transpiração.

Antes de traduzir livros, eu já traduzia. Estudo inglês desde sempre – depois veio o espanhol, o italiano e um pouquinho de francês (o russo não conta ainda, foi só para ter um gostinho :p). Fiz faculdade de jornalismo, trabalhei em grandes veículos de imprensa durante oito anos – mas desde o primeiro estágio, traduzia. Traduzia matérias de jornais internacionais, notas de agências de notícias, entrevistas, informações direto de noticiários da TV. Apesar de tudo, não percebia que isso poderia se transformar em uma profissão. Na minha cabeça, era parte – a parte que eu mais gostava – de um outro ofício. Um meio, não um fim.

Muitos tradutores começam em outras profissões. Não é imprescindível, mas foi importante para mim. Acho que me deu uma boa carga de experiência, contatos, maturidade – ouso dizer que contribuiu para a “sorte” que tive ao conseguir entrar no mercado editorial assim que mandei meu primeiro currículo. Eu já tinha algo para mostrar. Além disso, quando me dei conta de que gostava mais das palavras do que das notícias, investi nessa área e prestei vestibular de novo – dessa vez para o curso de Letras. Também foi parar lá no “currículo da sorte”, juntamente com vários outros cursos, congressos, especializações.

Investir na formação, dar o melhor de si, cumprir prazos, ter um bom relacionamento com as editoras e com os colegas tradutores, ler muito, ficar por dentro do que acontece no mercado. Tudo isso faz parte da profissão. Quase quarenta livros traduzidos depois, tento seguir isso à risca. E assim vou dando uma forcinha para a minha sorte.

Só sei que foi assim que vim parar aqui.

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